sol2070@velhaestante.com.br reviewed A Estrada (HQ) by Cormac McCarthy
Imagens ficam
5 stars
( sol2070.in/2026/01/hq-a-estrada-manu-larcenet/ )
Sublime a adaptação que o quadrinhista francês Manu Larcenet fez, em 2024, do já clássico romance apocalíptico A Estrada[^1], de Cormac McCarthy, de 1985. Foi lançada no Brasil pela Pipoca & Nanquim.
Gostei tanto das imagens que, agora que elas foram marcadas na mente, preciso reler o livro (pela terceira vez).
Transmite visceralmente a desolação da estória, que termina sendo também belíssima, já que é sobre o amor de um pai pelo filho pequeno num mundo devastado, tanto pela extinção de plantas e animais quanto pela predação mútua entre as pessoas que sobraram.
Uma digressão: não gosto muito de estórias desse tipo, em que, após o grande colapso, a humanidade descamba para a predação generalizada. Esse comportamento é fruto da atual cultura dominante, individualmente supremacista, de competição constante e mortal, de vale-tudo em nome da vantagem pessoal.
Acho uma certa …
( sol2070.in/2026/01/hq-a-estrada-manu-larcenet/ )
Sublime a adaptação que o quadrinhista francês Manu Larcenet fez, em 2024, do já clássico romance apocalíptico A Estrada[^1], de Cormac McCarthy, de 1985. Foi lançada no Brasil pela Pipoca & Nanquim.
Gostei tanto das imagens que, agora que elas foram marcadas na mente, preciso reler o livro (pela terceira vez).
Transmite visceralmente a desolação da estória, que termina sendo também belíssima, já que é sobre o amor de um pai pelo filho pequeno num mundo devastado, tanto pela extinção de plantas e animais quanto pela predação mútua entre as pessoas que sobraram.
Uma digressão: não gosto muito de estórias desse tipo, em que, após o grande colapso, a humanidade descamba para a predação generalizada. Esse comportamento é fruto da atual cultura dominante, individualmente supremacista, de competição constante e mortal, de vale-tudo em nome da vantagem pessoal.
Acho uma certa falta de imaginação projetar isso indefinidamente, como única opção humanamente possível.
Sem o sistema que incentiva essa atitude, ela persistiria?
Por um tempo, sim, persistiria, por inércia. Mas só até uma possível transição para as outras culturas sendo disseminadas, imagino. Por exemplo, a ajuda mútua — que costuma surgir espontaneamente em casos de desastres onde a assistência governamental não chega[^3].
Adoro essa citação, de um outro livro[^4]:
“você acha que sabe o que é ser humano, mas não sabe. Tudo o que você sabe é como um ser humano se comporta em um paradigma de dominação pelo poder. Mas e se você conectasse esse ser humano em um paradigma completamente diferente?”
Apesar de considerar urgente essas outras imaginações que expandem as possbilidades sobre o que é ser humano, A Estrada é uma exceção. McCarthy criou obras-primas onde o cenário é esse mundo ontologicamente hostil à existência humana. Como Meridiano de Sangue[^2].
Adoro do mesmo jeito que aprecio o horror cósmico de Lovecraft. Não acredito que o universo seja essencialmente agressivo e horroroso, mas entendo e empatizo bastante com essa visão de mundo.