Hilário e belo
5 stars
Peguei ansioso e entusiasmado Orlando, Uma Biografia (Orlando: A Biography, 1928, 344 pgs), já que vinte anos atrás tentara ler Virginia Woolf e não consegui aproveitar nada.
O romance é considerado a obra mais popular e acessível da extraordinária escritora inglesa. Acompanha 300 anos na vida de Orlando, em uma biografia impossível, do século 17 até o momento da escrita, incluindo uma mudança de sexo espontânea no meio. Uma fábula picaresca cheia de delírio, sátira e poesia. Como a sinopse entrega, não falta deboche com os modelos que ditam o que é um homem ou mulher. Não só com isso, mas também com o mundo de poetas, escritores e aristocratas.
A maioria das pessoas citadas são personagens reais, e a própria protagonista é baseada em uma amiga favorita da escritora. Por isso, o livro costuma ser referido como uma eruptiva carta de amor em forma de …
Peguei ansioso e entusiasmado Orlando, Uma Biografia (Orlando: A Biography, 1928, 344 pgs), já que vinte anos atrás tentara ler Virginia Woolf e não consegui aproveitar nada.
O romance é considerado a obra mais popular e acessível da extraordinária escritora inglesa. Acompanha 300 anos na vida de Orlando, em uma biografia impossível, do século 17 até o momento da escrita, incluindo uma mudança de sexo espontânea no meio. Uma fábula picaresca cheia de delírio, sátira e poesia. Como a sinopse entrega, não falta deboche com os modelos que ditam o que é um homem ou mulher. Não só com isso, mas também com o mundo de poetas, escritores e aristocratas.
A maioria das pessoas citadas são personagens reais, e a própria protagonista é baseada em uma amiga favorita da escritora. Por isso, o livro costuma ser referido como uma eruptiva carta de amor em forma de romance.
Conheço pouco do mundo da Inglaterra elizabetana, vitoriana e seus personagens, perdendo as referências satíricas sobre (há uma profusão de notas de rodapé, mas pulei-as). Sem poder entender, tais passagens mais sociais me soaram maçantes. Não comprometeu, claro. Há graça explosiva, principalmente no início, tanto em humor quanto em beleza e fluxo.
No clube Contracapa, concordamos que é um livro para ser saboreado, sem prazo, relido e estudado.
Apesar de Orlando ser baseada na mulher que cativava Woolf, também parece haver muito dela própria ali, nos êxtases e epifanias corriqueiras, entre a natureza, em contemplações, na vida avassaladora, intercaladas às vezes com contrastes totais na direção oposta.
A edição da Penguin Clássicos tem ótima tradução de Jorio Dauster e mais de 100 páginas com dois artigos e notas. Ou seja, a obra em si é mais curta que o livro aparenta.
Queria ter lido no começo o ensaio ao final do escritor e poeta Paulo Mendes Campos. Entre outras, ele comenta que vê o romance como um grande poema. Reconheci isso maravilhado só nas 20 páginas finais e teria aproveitado mais se tivesse lido assim desde o início, sem esperar muita lógica de estória.