sol2070@velhaestante.com.br reviewed Solenoide by Mircea Cărtărescu
Monumental
5 stars
( sol2070.in/2026/04/solenoide-mircea-cartarescu/ )
Marquei esta resenha com as tags fantasia, horror e ficção-científica, mas Solenoide (2015, 784 pgs) apenas se utiliza desses elementos. Transcendendo gêneros, é literatura genial — o autor romeno Mircea Cărtărescu costuma ser cotado para o Nobel há anos — borbulhando de imaginação, delírio e poesia.
A premiada tradução de Fernando Klabin é outro superlativo da edição, da editora Mundaréu. Além de transmitir a prosa direta e lírica, recria sua dimensão não exatamente arcaica, mas com a evocação de cantos recônditos e semi-esotéricos da língua, por exemplo, com o uso sistemático de palavras como ciclópico, quitina, funérea, nacarada, horripilado, sarcopta etc.
O romance é uma rememoração, confissão ou diário de um duplo (doppelgänger) fracassado do Cărtărescu real, considerado hoje o maior escritor romeno vivo. Esse é um dos muitos pontos em que a obra conversa com o mundo fora do livro.
Como um …
( sol2070.in/2026/04/solenoide-mircea-cartarescu/ )
Marquei esta resenha com as tags fantasia, horror e ficção-científica, mas Solenoide (2015, 784 pgs) apenas se utiliza desses elementos. Transcendendo gêneros, é literatura genial — o autor romeno Mircea Cărtărescu costuma ser cotado para o Nobel há anos — borbulhando de imaginação, delírio e poesia.
A premiada tradução de Fernando Klabin é outro superlativo da edição, da editora Mundaréu. Além de transmitir a prosa direta e lírica, recria sua dimensão não exatamente arcaica, mas com a evocação de cantos recônditos e semi-esotéricos da língua, por exemplo, com o uso sistemático de palavras como ciclópico, quitina, funérea, nacarada, horripilado, sarcopta etc.
O romance é uma rememoração, confissão ou diário de um duplo (doppelgänger) fracassado do Cărtărescu real, considerado hoje o maior escritor romeno vivo. Esse é um dos muitos pontos em que a obra conversa com o mundo fora do livro.
Como um típico arruinado dostoievskiano, o protagonista se regozija em seu poço, que não deixa de ser encantado. Não tendo que se conformar a limitações, pressões e ambições literárias, pode escrever e delirar livremente. O destino intencional do livro que lemos é o fogo. Essa é outra pergunta das entrelinhas: se o livro foi destruído, como podemos estar lendo-o? O autor disse em entrevista que seu personagem não está escrevendo para um público, mas se "dirigindo aos céus". Quem lê está em outra dimensão, a mesma do doppelgänger, e as esferas inconcebíveis e inacessíveis da realidade formam um centro da obra.
(resenha longa, leia no site sol2070.in/2026/04/solenoide-mircea-cartarescu/ )