sol2070@velhaestante.com.br reviewed O Fim by Karl Ove Knausgaard (Minha Luta, #6)
Conclusão grandiosa para série idem
5 stars
( sol2070.in/2026/03/minha-luta-6-o-fim-karl-ove-knausgaard/ )
Finalmente terminei a série autobiográfica Minha Luta, de Karl Ove Knausgaard, com o mastodôntico volume 6, O Fim (2011), de 1.056 páginas. Bateu até aquela tristeza de série que acaba, que nunca tinha me acometido com romances literários de não ficção, ou seja, ligados ao mundo "real" e não universos imersivos fantasiosos.
Apesar de estar dividido em seis, é um livro só. O volume final é especialmente fascinante por narrar as consequências que a série teve — algo que me deu curiosidade logo no primeiro volume, [[A Morte do Pai]], quando me perguntava como ele teve coragem de expor a si e a família desse jeito, como seria a reação.
Após a publicação do primeiro livro, o irmão de seu pai começou a atacá-lo e ameaçá-lo com processo, acusando-o de mentir e fantasiar deliberadamente, oferecendo a sua versão, a "correta", da morte do …
( sol2070.in/2026/03/minha-luta-6-o-fim-karl-ove-knausgaard/ )
Finalmente terminei a série autobiográfica Minha Luta, de Karl Ove Knausgaard, com o mastodôntico volume 6, O Fim (2011), de 1.056 páginas. Bateu até aquela tristeza de série que acaba, que nunca tinha me acometido com romances literários de não ficção, ou seja, ligados ao mundo "real" e não universos imersivos fantasiosos.
Apesar de estar dividido em seis, é um livro só. O volume final é especialmente fascinante por narrar as consequências que a série teve — algo que me deu curiosidade logo no primeiro volume, [[A Morte do Pai]], quando me perguntava como ele teve coragem de expor a si e a família desse jeito, como seria a reação.
Após a publicação do primeiro livro, o irmão de seu pai começou a atacá-lo e ameaçá-lo com processo, acusando-o de mentir e fantasiar deliberadamente, oferecendo a sua versão, a "correta", da morte do pai. O escritor se aflige porque também começa a desconfiar da própria memória, se perguntando quais processos internos ocultos estariam por trás das possíveis falsidades.
Entre outras pessoas, a própria esposa teve dificuldades ao se ver retratada e descobrir uma traição pelo livro. Além do mais, os volumes começam a vender muito, um fenômeno literário massivo inédito na Noruega, elevando o escritor a pop star. Os romances ainda estavam sendo escritos e é narrado como esse fenômeno midiático com a repercussão familiar negativa acabam influenciando a escrita e edição.
Knausgaard surpreende por inserir na narrativa um assombroso ensaio existencial que daria um livro separado com mais de 300 páginas, sobre a vida de Hitler e o contexto cultural, social e político que permitiu a ascensão do nazismo e, consequentemente, as mais de 60 milhões de pessoas que morreram na Segunda Guerra Mundial ou executadas em campos de extermínio.
O motivo porque a série tem o mesmo nome da biografia de Hitler, "Minha Luta", fica implícito. Knausgaard está comentando de novo sobre como sempre se sentiu frustrado com sua capacidade de apreciar poesia além da superfície. Com inveja, diz que sempre considerou poetas como pessoas de sensibilidade suprema, que viveriam num tipo de ápice da alma. Em particular, angustia-se por nunca ter compreendido de fato as dimensões espirituais sublimes evocadas por poetas como o alemão Hölderlin (séc. 18), apesar de intuir que há algo ali muito real e essencial. É como se fosse excluído das dimensões mais extraordinárias da existência.